domingo, 10 de dezembro de 2017

Aprendendo uma lingua para não morrer esperando a morte sentado

Os dois volumes comprados pelo Mercado Livre
 Jackson Lima 
Na quinta-feira, 19 de maio de 2016, comecei a estudar hebraico na modalidade "aprenda sozinho", ou sem auxílio de professor. Quer dizer não havia um professor ao meu lado.  Mas, o livro texto, "L'Hébreu sans peine" (volume I) - como se vê tendo o francês como língua-base -  escrito por Malca Kenningsberg surpriu muito bem a ausência física de um professor. O livro é parte do extenso catálogo do  Método Quotidiano Assimil da Editora francesa Assimil

A palavra chave do método é "assimilar" por meio da repetição diária e paciente - 20 minutos por dia leva o aluno para onde ele quer. O volume um, tem 420 páginas e 64 lições. Uma das perguntas mais frequentes de quem me viu estudando foi: como você sabe a pronúncia das letras? A resposta é simples: o livro traz o alfabeto, dá dicas de pronúncia e mantêm, ao pé da página, a pronúncia figurada de todo o diálogo, pelo menos, até certo ponto.
Peça de museu - Disco fonográfico do curso de francês
O estudo poderia ter ido muito mais rápido se eu tivesse conseguido as gravações dos para as lições dos volumes um e dois. Originalmente, era possível comprar os discos (primeiramente), logo as fitas cassetes e, "penultimamente" os CDs. Ainda gostaria de conseguir as gravações em MP3. 
Já possui o volume I do curso nos anos '80. Quando decidi recomeçar foi difícil encontrar o livro. Depois de muita pesquisa consegui o volume I dele em PDF  neste site também na França e em francês. Quando chegou a hora de passar ao volume II, houve a mesma correria. Na pesquisa, encontrei os volumes I e II, não vendidos separadamente, em um sebo de São Paulo pelo Mercado Livre. Comprei. Conclui os dois volumes querendo mais. Então começou uma nova "correria" ou corrida.
Livro II remendado após quase ser comido pela cachorra Git 
Há boas escolas online com professores mas as condições financeiras não me permitiram fazer esses cursos que me parecem muitos bons. Destaque para o E-Teacher. Nessa nova pesquisa aterrissei neste site que oferece 15 lições que vão de um texto básico-adiantado até um nível intermediário-adiantado. Um milagre metodológico. A grande novidade é que as lições gratuitas podem ser baixadas separadamente ou em grupo, legalmente, em PDF com as lições também em  MP3. Me animei a postar ou compartilhar esta experiência hoje logo após ter começado a lição 15 que ensina expressões idiomática como "estou com uma fome de cachorro". A língua base deste curso de 15 lições é o inglês com algumas notas (mínimas) em russo. Basicamente no nível de vocabulário. Não tenho vergonha de dizer que dominar a lição um consumiu três meses da minha cota de tempo.








Verbo "pôr" e sua versão popular "ponhar" - conjugação dos dois

"Para evitar problema com esses verbos, é melhor não usá-los.  Use somente colocar", essa foi a solução encontrada por uma mãe oeste-paranaense que ensinava o filho a não usar os verbos pôr e botar. Por quê? "Por que quem bota é galinha", explicou a mãe sobre o segundo verbo. Quanto ao primeiro, o verbo pôr,  é complicado. Segundo a mãe toda a vez que ela abria a boca e pronunciava o bendito verbo, era repreendida por pessoas que diziam que o verbo pôr é errado.

Exemplos de erros: posso pôr aqui? (pôr é também coisa de galinha) Mãe ponho a cadeirinha aqui? A mãe explica que é melhor dizer "colocar" a cadeirinha. "O patrão disse que ponhar é errado", avisa.
 

Na realidade, o problema da galinha tanto botar como pôr ovo não torna o verbo exclusividade dela. O verbo que aparece registrado e sacralizado para uso oficial, de acordo com a norma culta,  é o verbo pôr que significa colocar e botar. O problema é que existe um quarto verbo que nasceu do "pôr" e é chamado "ponhar". Ele é simplesmente considerado errado e as pessoas que o usam são consideradas ignorantes e incultas. 
Não demora muito para que isso descambe para o lado social forçando a discriminação de quem usa o verbo desse jeito incluindo tirando o usuário dele  da lista de empregos (segundo o cargo) e de oportunidades. 
Mas pensando bem, o verbo pôr tem uma conjugação complexa. E é possível que se fizermos um concurso que premie com R$ 100 a quem consiga conjugá-lo completo, os R$ 100 termine demorando para mudar de mãos. O site Brasil Escola chega a chamá-lo de um dos “mistérios linguísticos” do português. Confira os tempos mais representativos desse verbo misterioso e interessante "PÔR":    



Indicativo: Pôr

Presente          Pretérito perfeito         Pretérito imperfeito
Eu ponho            Eu pus                          eu punha             
Tu     pões          Tu puseste                     tu punhas
Ele/ela põe         Ele/ela pôs                    ele/ela punha
Nós pomos         Nós pusemos                 nós púnhamos
Vós   pondes       Vós pusestes                 vós púnheis
Eles/elas põem   Eles/elas puseram          eles /elas punham

A complexidade da conjugação do "pôr" levou à criação da versão popular  "ponhar" que parece usar como raiz a primeira pessoa do presente: Ponho.  É o verbo mais popular do Paraná e não é só do Paraná.

Abaixo a conjugação resumida  da forma "dialética"* do verbo pôr

Indicativo: Ponhar (Nome do verbo)

Presente               
Eu Ponho

Ponhamos

Pretérito prefeito
Ponhei 
Ponhou
Ponhamos
Ponhou
Ponharam

Pretérito imperfeito
Eu Ponhava
Tu ponhava 
Ele Ponhava
Nós punhemos
Eles ponhavam

Gerúndio
Ponhando

Particípio
Ponhado 

* Pessoalmente, vejo o verbo "ponhar" como parte de um dialeto. Nada técnico ou científico. É uma maneira de falar. Se déssemos a ele um nome como "vicentino"** (por exemplo) poderíamos até oficializá-lo. Como na Itálía onde há o genovês, calabrês, ticinês (Suíça)  em vez de segregar, discriminar quem fala a modalidade. U italiano pode orgulhar-se de dizer que sabe 10 idiomas e cinco dialetos. Digo vicentino por que essa é uma maneira de falar presente no que foi a antiga Capitania de São Vicente. O que inclui São Paulo na lista onde o ponhar é parte integral da fala. Lembra da música do Arnesto de Adoniran Barbosa? 

"Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa, mas você devia ter ponhado um recado na porta"

Confira ainda:
Conjugação verbo ponhar
"Pôr" também é complexo em espanhol  

terça-feira, 28 de março de 2017

O antigo Blog de Babel ou Blog das Linguas

Este blog veio daqui
http://blogdebabel.blogspot.com.br/ 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Bíblia em Latim on line

São Jerônimo um biblista do século 4, traduziu o "velho testamento" do hebraico para o Latim. A tradução foi feita para um latim mais acessível ao povo. A tradução ganhou o nome de "Vulgata Latina" que até a invenção da imprensa, séculos depois, foi a única versão autorizada e utilizada pela Igreja Católica. A Vulgata ainda hoje é respeitada. De minha parte, como apaixonado pelos idiomas, nunca vi uma Vulgata, nunca pus as mãos em cima de uma. Onde eu poderia ver uma? Já tentei comprar uma. Porém nunca achei.

Divulgo aqui este site suíço mantido por um dos co-autores do AutoCAD  e fundador da Autodesk, chamado John Walker. Veja a Vulgata em latim. Antes da Vulgata, a tradução da Bíblia em latim em vigor era a "Septuaginta", traduzida do grego por setenta eruditos. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Há um silêncio no Alaska - se extingue a língua Eyak


Foto de Marie Smith Jones (2004) fonte APRN

Faz exatamente um ano, hoje, 21 de janeiro, de 2009, que morreu Marie Smith Jones, a última india Eyak e por conseguinte a última falante da lingua Eyak. A lingua não tem mais quem a fale. Assim, o espaço que Eyak tinha na "Linguaesfera", silenciou, está vazio. Para mim, a morte de uma lingua é um acontecimento triste. Uma lingua é como se fosse um um baú onde estão guardadas lembranças, conceitos, descrições, nomes, palavras, memórias, canções de ninar, canções de alegria, canções de prazer e de tristeza. No mundo naturalmente criado para ser diverso, a morte do Eyak significa, para mim, uma diminuição na diversidade e essa dimuição faz falta. Ai, que falta me faz esse Eyak que nunca ouvi.



The last traditional speaker of the Eyak language died yesterday, making the language extinct. Eyak Chief Marie Smith Jones was 89 years old. She was the last person to have learned the language the traditional way, taught as a child from her parents.

Her long-time language documentarian, linguist Dr. Michael Krauss began working with her in 1962. He says Chief Marie kept the language going for many years after her older sister died in the early 1990s.

Chief Marie had 9 children; 7 are still living. Her funeral will be held in Anchorage on Friday at the St. Innocent Russian Orthodox Cathedral. Viewing is at 11:00 a.m. and services are at 1:00 p.m.

Lori Townsend, APRN - Anchorag
http://aprn.org

terça-feira, 4 de março de 2008

Revista Idiomas e Comunicação



Eu estava em Buenos Aires, curtindo os meus últimos momentos na redondeza da Rodoviária Internacional de Retiro, quando dei de cara com uma revista em uma banca de jornal. "Idiomas y Comunicación", idealizada e editada pelo jornalista Jaime Marín. Gostei da revista porque ela parece ser algo que eu gostaria de estar fazendo que é trabalhar em uam área de comunicação que se interesse pelos idiomas. Nas faculdades de jornalismo, a questão do idioma é "monocultural", "monolíngüe". Me lembro que nas aulas de teorias da comunicação, tanto alunos cmo professores, pulavam os nomes de autores, escritores e conceitos que não estivessem em português. Já pensou a palavra "führer" porque não se sabe pronunciar. Uma tragédia!

Tenho sentido que no Brasil quando se fala em idioma, as pessoas querem saber se você é lingüista, confundindo lingüista com poliglota. A idéia do jornalista argentino me dá uma saudável inveja. A edição que tenho em mãos, é a de janeiro /fevereiro de 2005. Na capa uma reportagem sobre o III Congreso de Identidad Lingüística realizado em Rosario. Dentro, entre muitas outras coisas, gostei de um estudo da Dra. Alicia Maria Zorrilla com o título "La lengua como espectáculo" (A língua como espetáculo). Tratava do uso da lingua na imprensa esportiva e policial. Um exemplo do texto espetáculo policial:

<< Tres hombres armados asaltaron una fiambrería (fábrica de frios)en Ramos Mejía pero fueron detenidos por la policia luego de protagonizar una espectacular persecución seguida de tiroteo. [...] Un patrullero [...] que recorria la zona observó la acción de los cacos (ladrões, gíria) y comenzó a perseguirlos bajo una lluvia de balas...>>.

A autora da palestra apresentada III Congresso de Rosário, citou um pensador espanhol (Jesús Castañón Rodríguez) que falou de uma "perda da autoridade comunicativa a favor do iconográfico" e de um neo-conceito de "captar a atenção do leitor para ver e ler, em vez de ler e imaginar".

É só um exemplo do trabalho da publicação que mistura comunicação e línguas. A revista é financiada por uma série de escolas, institutos e entidades de jornalismo, linguas, comunicação para a formação de jornalistas, tradutores, revisor de textos e uma série de outros campos. Aqui no Brasil, precisamos de tudo isso incluive espaços para divulgar as nossas pesquisas sobre linguas, imprensa e espetáculo. Aqui também vemos assaltantes empreendendo fuga, acelerando em rua sem saída e, no final, entrando em óbito. A foto que aparece acima não foi tirada por mim. Eu a encontrei no blog Rancho las Voces dos blogueiros Ruben e Jaime Valenzuela que vivem em Ciudad Juarez, México, na fronteira com os EUA. Sugiro uma visita ao blog Visor Fronterizo dos mesmos autores com fotos sobre aquela fronteira.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Ano Internacional das Línguas: 2008





Desde o dia 21 de fevereiro, Dia Internacional da Língua Materna, nós entramos no Ano Internacional das Línguas. O Ano Internacional das Línguas foi lançado no Dia das Línguas Maternas em 2007. Eu, como meio extraterrestre que sou, sou da opinião que a diversidade é a coisa mais interessante do Planeta. Li em algum lugar que a "diversidade" é uma espécie de seguro que a natureza utiliza contra a extinção. E isso se aplica a tudo: biodiversidade, diversidade racial, diversidade de espécies, diversidade de linguas e até a diversidade de visão, pensamento. Monocultura quer seja de soja ou ideológica e cultural é perigosa. O monolingüismo, o monopensamento me assustam e me faz tremer com o avanço do "duplipensar monolíngüe" do neoliberalismo, do comunismo messiânico e estatal.

O Marquês de Pombal proibiu o uso do tupi no Brasil em 1757, pondo fim à diversidade lingüística do País e estabelecendo o português como a lingua do Brasil. Nâo foisó o tupi, barrado. Foram todas as línguas faladas no Brasil. O Brasil fiocu mais pobre. O costume de proibir línguas no país está presente. Basta lembrar a proibição de falar alemão, italiano e japonês durante as guerras mundiais I & II. Mas ele não foi o único. É uma prática popular no âmbito dos ditadores.

Por isso todo apoio às linguas brasileiras: tucano, kamaiurá, magütá, tupi, guarani, mbyá-guarani, avá-guarani, kaingang a todas as nossas línguas. As fots acima sãomaterial de divulgação. Ajude a divulgar! A primeira foto anuncia o Ano Internacional nos seis idiomas oficiais da Unesco: inglês, francês, espanhol, russo, árabe e chinês. A segunda mostra o slogan do Ano Internacional: Languages Matter! Les Langues ça Compte! Los idiomas sí que cuentan! que seria em portugês "As línguas, tão com toda a bola sim!